E na cama de hospital, fazendo aquele exame maior, o desespero subiu a cabeça, a vontade de me mexer; o delírio era tão grande e inevitável que tudo mexia tão rápido que não conseguia acompanhar.
O medo era grande e tomava conta de mim, e sempre meus medos se transformam em palavras que então se transformam em lixo.
Ingerindo a radioactividade do raio 'x' e e morrendo com o ar já condicionado, meus cabelos podres choravam enquanto brincavam com o travesseiro. Meu rosto pálido pedia socorro em silêncio, sem resposta alguma. Minhas mãos tremulas e frias, não conseguiam agarrar nenhum objeto.
Minha mente só pensava na hora em que o pesadelo acabaria, mas o fim não era próximo e o começo ainda estava presente. "DING-DONG" apitou a sirene avisando que o processo começaria na mesma hora, minha cabeça e minha barriga, discutiam pra ver quem estava em pior estado, me fazendo vomitar e logo depois desmaiar; contaram-me a necessidade desse exame à três dias, e à três dias eu não como.
Já se passaram dois dias, o resultado talvez saia amanhã, e enquanto espero, não como, não durmo, não falo, não estudo, não trabalho. Dores de cabeça e a sensação de estar sempre frio, estão sempre me acompanhando, são minhas únicas amigas.
Com o resultado já em mãos, fui ao médico ver o que daria: meu problema cresceu, literalmente, de tamanho; me desesperei. Sai acompanhada apenas de minha sombra que calma, tentava me acalmar. Fui à casa de um grande amigo perturbá-lo com minhas lágrimas de socorro. Meu ar acabava com cada palavra dita. Estava tão fraca...
Sorte que, pelo menos, mais mal não me faria, e que só se eu quisesse concertar, eu concertava-me. Nem quis.
[Algum dia do ano passado]
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