como um anjo. ela era como um anjo. seus traços, sua voz, seus cachos.. negros cachos. tinha olhos leves e grandes, pareciam folhas secas. o jeito que andava, era o mais engraçado que já vi. sempre reparo os jeitos de andar, e o dela, era o mais engraçado. ainda mais naquela vez que se machucou, andava meio mancando. era hilário! ela era doce, mas era azeda; era calma, mas era agitada; era corajosa, mas tinha muito medo. a pessoa mais bela que já vi. uma graça! pena ser tão azul, adoraria que fosse amarela! tinha sempre em mente o que gostaria de ter em mãos. algo bem sentimental. ela não tinha nada material, deixou tudo pra trás quando resolveu partir. só levou algumas cartas.. cartas de amor. amor em cartas. lindas cartas, cheirosas, rosadas, adoráveis! me lembro do dia que li uma, nesse dia, entendi porque ela havia partido. era lindo o amor. era o sentimento mais bonito que já vi. mas antes de partir de vez, ela sofreu muito. me lembro muito bem. passava o tempo todo com qualquer um, sem se importar se faria alguém sofrer, exceto uma pessoa, mas nesse meio tempo, não tinha como ela fazer isso. só se morresse. mas ela fez mesmo muita gente chorar, inclusive ela mesma. ela chorou só no começo mesmo, depois ela entendeu que tudo bem ela fazer essas coisas, essas maldades, tudo bem ser uma 'vaca egoísta', se no final, ela ia conseguir o que queria. mesmo sabendo que essas maldades poderiam acontecer com ela também, mas, porra, ela não sabe o que vai acontecer daqui 1 segundo,como saber o que acontecerá daqui 4 anos? ela só sabe que a vida e surpreende. mesmo tendo poucas pessoas surpreendentes. e pior, como saber o que ela irá achar sobre relacionamentos daqui 4 anos? hoje ela achava que não existia traição, porque é feio poder ver uma pessoa só. se reprimir à isso. no futuro, quem sabe, ela ainda pense assim. talvez não. tomara que não, porque isso fode, sempre, com tudo. é por isso que ela era tão fodida. em todos os sentidos. mas ela continuava linda. divina. mesmo sendo tão cruel. no fundo, no fundo, acho que a entendia. ela tinha medo de ficar sozinha. não depois, com 78 anos, mas agora.
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